Mãe empreendedora: desafios, inspiração e por onde começar

Conheça os desafios e benefícios de ser uma mãe empreendedora. Confira detalhes sobre a criação da minha empresa e minha paixão pela fotografia!

Grande parte das mulheres empreendedoras se torna empreendedora depois de ser mãe. O caminho é parecido para muitas: acaba a licença maternidade do CLT e o desejo de ter mais tempo com o filho é latente, enquanto a necessidade financeira também. 

É ali, neste momento, que muitos negócios surgem, pela real necessidade de ter uma renda junto ao tempo com o bebê que ainda necessita tanto da mãe. 

Nesse artigo, conto um pouco pra vocês sobre a criação da minha empresa: ao unir a paixão por registrar memórias da minha filha à experiência com fotografia, criei um negócio acolhedor e inovador, conciliando flexibilidade, autonomia e impacto familiar.

Por que a mãe empreendedora está em alta hoje?

O crescimento do empreendedorismo materno está intimamente ligado a essa busca por flexibilidade de tempo e autonomia financeira. A mulher sente a necessidade e desejo de estar mais perto do seu filho e ao mesmo tempo, não deixar a carreira. Um equilíbrio difícil, mas possível. 

Retornar ao mercado de trabalho em tempo integral, dar conta da rotina da casa, dos filhos e do seu próprio cuidado pessoal é desafiador, e é por isso que muitas mulheres optam pelo caminho do empreendedorismo. 

Explorar desafios como retorno ao mercado, sobrecarga da rotina e necessidade de conciliar trabalho e filhos. Uma pesquisa da FGV mostra que 50% das mulheres mães são demitidas em até 2 anos após a licença maternidade. Isto é, muitas passam a empreender não por escolha, mas por ser a única alternativa. 

Dados do Sebrae também mostraram que 75% das mulheres empreendedoras decidem abrir o próprio negócio após a maternidade, mas para as mulheres da classe C esse número aumenta para 83%. 

O mesmo estudo do Sebrae mostra que os principais motivos pela decisão de começar um empreendimento são emocionais: excesso de tarefas, dificuldade de deixar os filhos para trabalhar, acúmulo de funções. 

Como mapear tempo, recursos e metas

Alguns desafios são constantes na vida de uma mãe empreendedora: a gestão do tempo, organização das tarefas, sobrecarga emocional, rotina familiar e das crianças, além da parte financeira, que principalmente no início pode não se alinhar 100% com as expectativas de renda. 

Afinal, o que pode ser feito sem gerar uma sobrecarga impossível? O empreendedorismo materno precisa funcionar dentro da vida real, e não competir com ela.

Cada fase da maternidade vai permitir diferente tempo de dedicação ao seu negócio. Quando o bebê ainda é muito pequeno, grande parte do seu dia será dedicado aos cuidados com o seu filho, e pouco tempo ao negócio. 

Aos poucos, vá se organizando para trabalhar de acordo com a rotina: durante as sonecas, quando tiver alguma ajuda em casa. Quando um pouco mais velho, enquanto ele faz uma atividade ao seu lado, ou até enquanto vai à escola.


Em relação à parte financeira, procure ter expectativas realistas de faturamento. Você não precisará apenas fazer o seu trabalho, mas também aprender a apresentá-lo e vendê-lo. Além de tempo para isso, você vai precisar construir uma rede de contatos, e isso exige tempo e dedicação: essa construção é feita aos pouquinhos, como um tijolinho colocado após o outro. 

Ideias de negócios para mães empreendedoras

A internet facilitou o acesso a ferramentas, vendas e divulgação: nunca foi tão fácil trabalhar de casa com baixo investimento inicial.

Muitas mães começam empreendendo justamente em áreas que já fazem parte do seu cotidiano ou das habilidades que desenvolveram ao longo da vida. Produção de conteúdo, fotografia, alimentação, papelaria personalizada, organização, brechós infantis, consultorias e produtos que gerem memórias afetivas são alguns exemplos. 

Outro ponto importantíssimo: não basta saber do seu produto/serviço, você precisa conhecer o seu público. Quando eu criei a Mamãe Elefante, eu já sabia muito sobre fotos (trabalhava há 15 anos com isso) e muito sobre o meu público: mães (trabalhava há mais de 25 anos com esse nicho, em diferentes áreas). Ainda assim, eu não sabia sobre o mercado das assinaturas, então eu estudei muito sobre ele para poder lançar o produto com o mínimo risco possível.

E por que precisamos saber o máximo possível sobre o nosso público e o nosso produto? Porque saberemos o que o mercado precisa! No meu caso, eu sabia exatamente as dores das mães em relação a fotos, e criei um produto que viria curar essas dores de milhares de mães. E quando você tem um produto que cura a dor de alguém, esse alguém se torna seu cliente.

Negócios que nascem de experiências reais costumam criar conexões muito fortes, e isso também aconteceu na Mamãe Elefante, porque além de eu saber das necessidades das minhas clientes, ela surgiu a partir de uma experiência pessoal muito forte, quando eu quase perdi minha filha para uma doença muito grave e percebi que a foto mais importante da nossa vida era uma selfie! 

A foto da alta dela me fez perceber que eu não tinha revelado as fotos do celular (apesar de já ser fotógrafa há muitos anos) e que muitas mães também não faziam isso por falta de tempo. Então eu encontrei algo que uniu demanda, habilidade e propósito, criando um negócio de sucesso.

Dentro do seu universo, procure por isso: qual o público que você mais conhece? Quais as dores desse público? Como você pode ajudar a curar essa dor?

Serviços de organização e consultoria

Ainda não consegue enxergar o público e suas dores? Enxergue a sua nova vida de mãe como uma oportunidade. A rotina intensa da maternidade faz surgir uma grande demanda por serviços que facilitem a vida das famílias: organização de ambientes, consultoria de rotina, sono infantil e organização de fotos são exemplos de áreas em crescimento. 

No que você se tornou muito boa após ser mãe? Muitas mães empreendedoras transformam aquilo que aprenderam na prática em serviço ou produto, e isso gera negócios muito humanos, acolhedores e necessários.

Como planejar as finanças e precificação

Defina um pró-labore e retire apenas ele, mesmo nos meses em que a empresa faturar muito. A renda variável costuma ser um desafio importante na vida do empreendedor, e se você conseguir se organizar desde o começo com um caixa estruturado, não misturando finanças pessoais com a empresa, já está muitos passos à frente no caminho do sucesso.

Outro dos maiores desafios de quem começa a empreender é aprender a precificar corretamente. Muitas mães calculam apenas o custo do produto e esquecem de considerar tempo, energia, ferramentas e impostos. Procure ajuda na hora de precificar, há muitas aulas na Internet e instituições como o Sebrae podem ajudar muito.

Organizar as finanças desde o início traz mais clareza e segurança. Nunca esqueça: mesmo pequenos negócios precisam ser tratados com profissionalismo para conseguirem crescer de forma saudável, e hoje existem muitas ferramentas para te ajudar nessa jornada. 

Casos de sucesso e inspiração

Grande parte dos negócios maternos nasce de uma dor real. A Mamãe Elefante, por exemplo, surgiu quando eu percebi que a foto mais importante da sua vida era uma selfie simples tirada no celular após um momento muito difícil vivido com a minha filha Sofia. Mas atenção: não foi tão simples assim, um clique, uma ideia, e pronto: virou uma empresa.

A foto da alta da Sofia aconteceu em fevereiro de 2020. Aquela sensação de foto mais importante da minha vida veio na hora, afinal, eu tinha escutado algumas vezes que talvez a minha filha não saísse daquele hospital. Mas naquele momento, eu não pensei que viraria um negócio! Essa sementinha foi realmente uma sementinha, ela ficou enterrada lá no meu coração e demorou um tempo para florescer.

A segunda sementinha

Em abril de 2020, vivi uma outra situação que considero ser a segunda sementinha da Mamãe Elefante: em plena pandemia, trancada em casa também para a recuperação da Sofia, como muitos, fui dar aquela geral nos armários. Quando eu cheguei nos álbuns de fotos da minha infância, percebi que eu gostava muito mais dos álbuns que a minha mãe fez com a câmera dela, do que os álbuns “book”, de quando ela me levou em um fotógrafo. 

Porque eram os álbuns na “maquininha” dela que me contavam a minha história: como era o sofá da minha casa, o uniforme da escola, a professora, os amiguinhos.


Nesse momento, eu não entendi isso como a segunda sementinha da Mamãe Elefante, e sim como uma crise de identidade: na minha cabeça, naquele momento, a profissão fotógrafa (a minha) era inútil!

Estávamos no meio de uma pandemia e ninguém sentia falta de um fotógrafo (isso não é a realidade, é o que eu senti naquele momento), a foto mais importante da vida da minha filha era uma selfie e as fotos que eu mais gostava da minha história também não eram de fotógrafo.

A terceira sementinha

Em junho de 2020, a terceira sementinha: criei um produto com fotos para o dia dos avós e vendi bastante! Nessa ocasião, percebi que vender produtos era mais fácil do que vender o meu serviço (pelo menos em plena pandemia) e então criei outros produtos (para o dia dos pais, dia das crianças, dia dos avós), com os quais sobrevivi a 2020. Nesse momento, eu achava que criar produtos eternamente seria a solução!

A “gestação” da Mamãe Elefante

Somente em 2021, juntando todas essas informações (as três sementinhas, o conhecimento do meu público e as dores delas em relação a fotos), é que entendi que eu poderia criar uma assinatura de fotos. Ainda assim, passei um ano estudando o mercado das assinaturas (na teoria e na prática- assinei tudo o que eu via disponível no mercado e que cabia no meu bolso) e fazendo teste de produto. Assinei livros, cosméticos e vinhos. 

Assinei produtos de concorrentes para entender os diferenciais entre eles. Paralelo a isso, fiz muitos testes do meu produto: o tamanho do álbum ideal, o tamanho da foto ideal, fotos de diferentes celulares – com diferentes qualidades.

O “nascimento” 

Lancei a Mamãe Elefante em fevereiro de 2022, dois anos após a foto na porta do hospital, a “famosa” foto que falo tanto na história da Mamãe Elefante. A criação da Mamãe Elefante não foi assim, um milagre ou uma luz divina, foi a sensibilidade de perceber as coisas acontecendo a minha volta, assim como muita dedicação e estudo para criar o produto.

Aquela foto da saída do hospital revelou algo poderoso: as histórias mais importantes das famílias estão nas fotos do cotidiano. Hoje, essa percepção virou uma empresa que ajuda milhares de mães a transformarem memórias em legado. Mas teve muito estudo, suor e trabalho para que isso acontecesse. 

Perguntas frequentes sobre ser mãe empreendedora

O que é empreendedorismo materno?

É quando mulheres criam negócios influenciadas pelas transformações e necessidades que surgem com a maternidade. Muitas vezes, esses empreendimentos nascem do desejo de ter mais flexibilidade, propósito e presença na criação dos filhos. Também é comum que os negócios estejam ligados ao universo materno e infantil. 

O que é empreender sendo mãe?

Empreender sendo mãe é aprender a equilibrar múltiplos papéis ao mesmo tempo. É construir um negócio no meio da rotina, conciliando trabalho, filhos, casa e vida pessoal. Não é fácil, mas também pode ser profundamente transformador, muitas mães descobrem forças e habilidades que nem imaginavam possuir. 

Nunca esqueça: você é mais que uma mãe empreendedora, você é mãe e empreendedora. Ou melhor, você é mulher, mãe e empreendedora. 

Existem muitas mães empreendedoras no Brasil?

Hoje no Brasil existem cerca de 10,4 milhões de mulheres empreendedoras, representando 46% dos empreendedores no Brasil. Estima-se que 73% destas mulheres são mães. O número de mães empreendedoras cresce a cada ano no Brasil. 

Muitas encontraram no empreendedorismo uma alternativa para gerar renda sem abrir mão da presença na vida dos filhos. Além disso, a internet ampliou as possibilidades de negócios flexíveis e acessíveis. Hoje, o empreendedorismo materno é uma realidade cada vez mais forte.

Inspire-se com a Mamãe Elefante e dê o primeiro passo no seu negócio materno

Toda grande empresa começou pequena. Muitas vezes, começou no meio da bagunça da casa, durante uma madrugada cansativa ou em uma ideia anotada rapidamente no celular. O mais importante não é começar perfeito, é começar com verdade, com muito estudo e dedicação. 

A Mamãe Elefante nasceu da maternidade, da dor, do amor e da vontade de transformar memórias em algo eterno. Talvez o seu negócio também esteja escondido em algo que você vive todos os dias e ainda nem percebeu. Conheça os nossos planos!